Algumas orações relativas indicam quem ou o quê exatamente se quer dizer. Outras limitam-se a acrescentar um pormenor adicional sobre algo já identificado — um comentário à parte que se poderia retirar da frase sem perder a ideia principal. Esse segundo tipo é uma oração relativa explicativa, e tem as suas próprias regras.
My brother, who lives in Berlin, is visiting next week. Por trás desta frase há um pressuposto óbvio: já sabes de que irmão se trata — provavelmente porque só tens um. A oração who lives in Berlin apenas acrescenta um pormenor; retira-a, e My brother is visiting next week continua a dizer exatamente quem vem de visita.
Resumo: uma oração relativa explicativa é separada por vírgulas e acrescenta informação adicional, não essencial. Usa who / which / whose / whom — nunca that — e nunca omitas o pronome.
Este artigo parte das orações relativas restritivas, que cobrem who, which, that, whose e whom para orações que indicam quem ou o quê exatamente se quer dizer. A escolha básica entre who, which, whose e whom mantém-se aqui, mas that desaparece por completo. O que muda é a pontuação, a impossibilidade de omitir o pronome relativo, e um novo uso de which.
As vírgulas fazem a diferença
Compara estas duas frases:
- The students who finished early could leave. — sem vírgulas: só uma parte dos estudantes, os que terminaram cedo. Restritiva.
- Anna, who finished early, went home. — com vírgulas: um pormenor adicional sobre alguém já identificado pelo nome. Explicativa.
As palavras da oração podem ser idênticas — o que muda é se há vírgulas à sua volta, e o que isso implica sobre o nome que a precede. Uma oração explicativa é separada por:
- uma vírgula, se a oração terminar a frase: I called my sister, who lives in Rome.
- duas vírgulas, se a oração estiver no meio da frase: My sister, who lives in Rome, called me yesterday.
Ao ler a frase em voz alta, a oração explicativa é a parte que dirias com uma pequena pausa antes e depois, quase como um parêntesis — retira-a, e o sentido principal da frase mantém-se intacto.
Nada de that, e o pronome não pode ser omitido
Dois hábitos das orações restritivas não se aplicam aqui:
- ❌ My brother, that lives in Berlin, is visiting. → ✅ My brother, who lives in Berlin, is visiting. That nunca é usado numa oração relativa explicativa.
- ❌ My brother, lives in Berlin, is visiting. → ✅ My brother, who lives in Berlin, is visiting. O pronome nunca pode ser omitido, mesmo quando é sujeito da oração.
- ❌ My sister, I met in Rome, is a photographer. → ✅ My sister, who I met in Rome, is a photographer. O pronome mantém-se também quando é complemento.
Este último ponto é uma diferença real em relação às orações restritivas, onde um pronome complemento é muitas vezes omitido (the film I recommended). No inglês padrão, uma oração relativa explicativa precisa sempre de um pronome relativo explícito — omiti-lo nunca é possível, quer o pronome seja sujeito quer seja complemento da sua oração.
Em português, que usa-se tanto nas orações restritivas como nas explicativas sem mudar de forma — a vírgula (e, ao falar, uma pausa) é o que marca a diferença. O inglês, por sua vez, exige também uma mudança de pronome: that, possível numa restritiva, deixa de ser válido assim que aparecem as vírgulas. Como o português não tem essa alternância, o instinto natural é continuar a usar that depois da vírgula — é precisamente esse o erro a vigiar.
Whose e whom funcionam da mesma forma
Whose (posse) e whom (pronome complemento formal para pessoas) comportam-se exatamente como nas orações restritivas — só que com vírgulas:
- The Garcías, whose daughter is a violinist, just moved in next door.
- Dr. Patel, whom I met at the conference, gave a fascinating talk.
O inglês do dia a dia costuma preferir who a whom também aqui. Mas numa oração relativa explicativa, that continua a não ser possível.
Which pode referir-se a uma oração inteira
Um which explicativo pode referir-se a uma ideia inteira, não só a um nome — um recurso genuinamente novo neste nível:
- He arrived late, which annoyed his boss. (which = o facto de ter chegado tarde)
- She passed the exam, which surprised everyone. (which = o facto de ter sido aprovada)
- They forgot to invite him, which was a bit awkward. (which = o facto de se terem esquecido)
Isto só funciona com which, sempre numa oração explicativa com vírgula antes. Usa-o quando which resume toda a situação anterior, em vez de apontar para um nome concreto da frase.
Erros comuns
- ❌ My car, that broke down yesterday, is at the garage. → ✅ My car, which broke down yesterday, is at the garage. (nunca that numa oração relativa explicativa)
- ❌ Her father, works as an engineer, is visiting this weekend. → ✅ Her father, who works as an engineer, is visiting this weekend. (o pronome não pode ser omitido)
- ❌ My neighbour who is a doctor helped me. → ✅ My neighbour, who is a doctor, helped me. (se o contexto já deixa claro de que vizinho se trata, a falta de vírgulas transforma sem querer um parêntesis explicativo numa oração restritiva, que sugere erradamente uma escolha entre vários vizinhos)
- ❌ We missed the train, that was really frustrating. → ✅ We missed the train, which was really frustrating. (referir-se a uma oração inteira exige which, nunca that)
- ❌ I visited Paris which is the capital of France. → ✅ I visited Paris, which is the capital of France. (uma oração relativa explicativa precisa sempre da sua vírgula, mesmo quando é curta)
Testa-te
Decide se cada oração precisa de vírgulas (explicativa) ou não (restritiva), e escolhe o pronome certo.
- My mother ____ taught me to cook is visiting this weekend. (é a minha única mãe)
- The book ____ I borrowed from you was excellent.
- He lost his passport, ____ ruined the whole trip.
- Mr. Chen, ____ office is next to mine, is retiring soon.
Ver as respostas
- My mother, who taught me to cook, is visiting this weekend. — explicativa (com vírgulas), porque só tens uma mãe.
- The book that/which I borrowed from you was excellent. — restritiva, sem vírgulas; o pronome também podia ser omitido: The book I borrowed from you…
- He lost his passport, which ruined the whole trip. — which refere-se a todo o acontecimento de perder o passaporte.
- Mr. Chen, whose office is next to mine, is retiring soon. — explicativa, posse.
Aprenda mais rápido com a GrammarMama
Este artigo trata de um único tema — veja como a GrammarMama ajuda a transformar isso em progresso duradouro:
-
Descubra o seu nível — Um teste de nivelamento rápido encontra o seu nível do QECR, para que cada exercício combine com você. Descobrir meu nível →
-
Siga um caminho claro — Pratique cada tópico na ordem certa, do A1 até o C2. Ver a trilha completa →
-
Defina a sua própria meta — Conte para a gente por que você está aprendendo, e os exercícios seguem os seus interesses. Definir uma meta →
-
Acompanhe os seus erros — Veja os padrões por trás do que mais te atrapalha e corrija-os de vez. Ver meus erros →
-
Amplie o seu vocabulário — As palavras dos exercícios são salvas e revisadas com repetição espaçada. Abrir meu vocabulário →
-
Pratique a fala — Responda aos exercícios em voz alta em vez de digitar, sempre que quiser. Experimentar a prática oral →
-
Treine a sua pronúncia — Receba feedback instantâneo, palavra por palavra, sobre a sua pronúncia. Treinar pronúncia →
-
Pratique um pouco todos os dias — Exercícios diários curtos, no seu nível, mantêm o idioma sempre fresco na memória. Começar a praticar →
Ideias principais
- Uma oração relativa explicativa acrescenta informação adicional, não essencial — retirá-la não muda de quem ou de que fala a frase.
- É separada por vírgulas: uma se terminar a frase, duas se estiver no meio.
- That nunca é usado numa oração relativa explicativa — usa who, which, whose ou whom em vez disso.
- O pronome nunca pode ser omitido numa oração explicativa, mesmo como complemento.
- Which pode referir-se a uma oração inteira anterior, não só a um nome: He was late, which annoyed everyone.
- A falta de vírgulas pode transformar sem querer um parêntesis explicativo numa oração restritiva com outro sentido — não as omitas.