Je fais réparer ma voiture.Mando reparar o meu carro.

Faire, seguido diretamente de um infinitivo, não significa aqui "fazer" no sentido habitual — significa que alguém provoca a ação, seja fazendo-a executar por outra pessoa, seja simplesmente tratando de que seja feita. Isto é o causatif (causativo). Uma única construção compacta abrange duas ideias para as quais o português muitas vezes precisa de recursos diferentes: "mandar fazer algo" e "fazer com que alguém faça algo".

O português também tem uma construção próxima, mandar/fazer + infinitivo (Mando reparar o carro), mas a colocação do pronome segue as regras próprias do português — ênclise, próclise ou mesóclise, conforme o contexto — e não a posição fixa e única que o francês usa para esta construção: sempre logo antes de faire, nunca antes do infinitivo.

O esquema básico

Basta colocar o infinitivo logo depois da forma conjugada de faire — sem que, sem um segundo verbo para conjugar:

  • Je fais laver la voiture. (Mando lavar o carro.)
  • Elle fait réviser le contrat par son avocat. (Ela manda o advogado rever o contrato.)
  • Il fait pleurer son petit frère. (Ele faz o irmão mais novo chorar.)
  • Vous faites rire tout le monde. (Vocês fazem toda a gente rir.)

Um só participante: quem executa é objeto direto de faire

Quando o infinitivo não tem objeto direto próprio expresso, a pessoa que executa a ação — o "causado" — é simplesmente o objeto direto de faire:

  • Elle fait travailler ses élèves. (Ela faz os seus alunos trabalhar.) — ses élèves é objeto direto de faire, não de travailler.
  • Le professeur fait chanter les enfants. (O professor faz as crianças cantar.)

Dois participantes: par ou à para quem executa

Quando o infinitivo já tem o seu próprio objeto direto (aquilo que se manda fazer), quem executa já não pode também ser um simples objeto direto — a frase ficaria com dois objetos diretos, sem forma de os distinguir. Por isso, quem executa é introduzido com par ou à:

  • Je fais réparer ma voiture par le garagiste. (Mando o mecânico reparar o meu carro.) — ma voiture é objeto direto de réparer; le garagiste é quem repara.
  • J'ai fait lire ce livre à ma fille. (Fiz a minha filha ler este livro.) — ce livre é o que se lê; ma fille é quem lê.

Par costuma ser a opção mais segura, sobretudo quando o infinitivo já tem o seu próprio complemento com à (um segundo à na mesma frase confunde depressa quem faz o quê a quem) — mas com infinitivos correntes como lire, écrire ou envoyer, à é igualmente comum e natural.

Onde vai o pronome: logo antes de faire

Este é o ponto onde mais se erra. Depois de um verbo como pouvoir, vouloir ou aller + infinitivo, um pronome complemento coloca-se logo antes do infinitivo de que é realmente complemento — ver a posição do pronome complemento. O causativo não segue esse esquema: seja o que for que o pronome substitua, coloca-se logo antes de faire, nunca antes do infinitivo.

  • Je fais réparer la voiture.Je la fais réparer. (Mando repará-lo.) — nunca ❌ Je fais la réparer.
  • Elle fait chanter les enfants.Elle les fait chanter. (Ela fá-los cantar.)
  • J'ai fait lire ce livre à ma fille.Je lui ai fait lire ce livre. (Fi-la ler este livro.) — quem executa, introduzido com à, passa a pronome complemento indireto, também colocado antes de faire.
  • Je fais réparer la voiture par le garagiste.Je la fais réparer par lui. (Mando-o repará-lo.) — quem executa, introduzido com par, mantém-se como par + pronome tónico; só voiture passa a pronome la antes de faire.

Erros comuns

  • Je fais la réparer. → ✅ Je la fais réparer. (o pronome vai antes de faire, não antes do infinitivo — o contrário exato da regra depois de aller/pouvoir/vouloir/devoir)
  • Elle fait travailler à ses élèves. → ✅ Elle fait travailler ses élèves. (com um só participante, quem executa é objeto direto simples de faire — não é preciso à)
  • Je fais que mon fils range sa chambre. → ✅ Je fais ranger sa chambre à mon fils. (o causativo é faire + infinitivo nu, não faire que + uma oração à parte)
  • J'ai fait réparé la voiture. → ✅ J'ai fait réparer la voiture. (o segundo verbo mantém-se infinitivo — nunca leva terminação de particípio, nem mesmo depois de avoir)

Verifica os teus conhecimentos

Ver respostas
  1. Je fais couper mes cheveux. (Mando cortar o cabelo.) → substitui mes cheveux por um pronome: ____ → Je les fais couper.
  2. Elle fait visiter la maison ____ ses invités. (à / par — com visiter + uma pessoa, a escolha mais natural) → à (Elle fait visiter la maison à ses invités.)
  3. (Verdadeiro ou falso) Em faire + infinitivo, um pronome complemento coloca-se logo antes do infinitivo, tal como depois de pouvoir ou vouloir.Falso — coloca-se logo antes de faire.
  4. Le bruit fait aboyer le chien. (O barulho faz o cão ladrar.) → le chien é objeto direto de faire ou de aboyer? → de faire (é quem executa, já que aboyer não tem aqui objeto próprio)
  5. J'ai fait réparer la montre par l'horloger. → substitui la montre por um pronome, mantendo par l'horloger como está: ____ → Je l'ai fait réparer par lui. (quem executa, introduzido com par, mantém-se como par + pronome tónico — não pode passar a pronome lui)

O essencial

  • Faire + infinitivo (sem que, sem oração à parte) é o causativo: "mandar fazer algo" ou "fazer com que alguém faça algo".
  • Com um só participante, quem executa é objeto direto de faire: Elle fait travailler ses élèves.
  • Com dois participantes (o infinitivo já tem o seu próprio objeto direto), quem executa é introduzido com par ou à: Je fais réparer la voiture par le garagiste.
  • Um pronome complemento nesta construção coloca-se logo antes de faire, nunca antes do infinitivo — o contrário do esquema depois de pouvoir, vouloir, devoir ou aller.
  • O infinitivo depois de faire mantém-se sempre infinitivo, mesmo num tempo composto como o passé composé (j'ai fait réparer, nunca j'ai fait réparé).