Paul écrit la lettre.La lettre est écrite par Paul.Paul escreve a carta.A carta é escrita por Paul.
Numa frase ativa, o sujeito pratica a ação. Numa frase passiva, o sujeito sofre a ação em vez disso — aquilo sobre o qual recaiu a ação torna-se o sujeito, e quem a pratica (se mencionado) passa para um grupo com par no final da frase.
Em resumo: être (no tempo da ação) + particípio passado, que concorda com o sujeito — la lettre est écrite, les lettres sont écrites. O agente, se mencionado, segue par.
Formar a voz passiva: être + particípio passado
A voz passiva constrói-se com être, conjugado no tempo da ação, mais o particípio passado do verbo principal. Tal como com um verbo que leva être no passé composé, esse particípio concorda em género e número com o sujeito:
- La lettre est écrite. (A carta está escrita.) — feminino singular.
- Les lettres sont écrites. (As cartas estão escritas.) — feminino plural.
- Le film est regardé par des millions de gens. (O filme é visto por milhões de pessoas.) — masculino singular.
- Ces règles sont respectées. (Estas regras são respeitadas.) — feminino plural.
A voz passiva no passé composé: avoir été + particípio passado
Para pôr uma frase passiva no passé composé, põe-se o próprio être no passé composé — a été, ont été... —, e o particípio do verbo principal continua a concordar com o sujeito, exatamente como no presente:
- La lettre a été écrite par Paul. (A carta foi escrita por Paul.)
- Les fenêtres ont été réparées hier. (As janelas foram reparadas ontem.)
- Ce livre a été traduit en dix langues. (Este livro foi traduzido para dez línguas.)
Introduzir o agente: par (e por vezes de)
Quando quem pratica a ação é mencionado, costuma seguir par:
- La maison a été construite par mon grand-père. (A casa foi construída pelo meu avô.)
Um pequeno grupo de verbos — sobretudo os que descrevem um estado duradouro, um sentimento ou o facto de estar rodeado, em vez de uma ação pontual e concluída (aimé, respecté, connu, entouré, couvert, accompagné...) — leva mais naturalmente de:
- Elle est aimée de tout le monde. (É amada por todos.)
- La ville est entourée de montagnes. (A cidade está rodeada de montanhas.)
Par é de longe a escolha mais frequente no geral — mas um pequeno grupo de combinações fixas, sobretudo com um estado como être entouré de, exige especificamente de, como mostra o erro abaixo.
O português distingue ser + particípio (a ação em si, com possível agente: a carta foi escrita por Paul) de estar + particípio (o estado resultante, sem agente: a carta está escrita). O francês não faz essa distinção: être + particípio cobre os dois casos, tanto a ação passiva como o estado resultante, sem mudar de verbo auxiliar.
Só um complemento direto pode tornar-se sujeito
Uma frase passiva só se pode construir a partir do complemento direto de uma frase ativa — nunca a partir de um complemento indireto. Esta é uma diferença real em relação ao inglês, que permite transformar um complemento indireto em sujeito passivo ("I was given a book"):
- On m'a donné un livre. (Deram-me um livro.) — ❌ Je suis donné un livre não existe; me não pode tornar-se sujeito só por ter sido o complemento indireto de donner ... à quelqu'un.
- A passiva natural aqui toma antes o livro como sujeito: Un livre m'a été donné. (Um livro foi-me dado.) — gramatical, mas soa menos natural do que a versão ativa com on.
Existe tecnicamente uma construção à parte, mais formal — a passiva impessoal (il m'a été donné un livre) — para este tipo de situação, mas é rara e livresca; na prática, os francófonos usam on + verbo ativo.
Quando usar a voz passiva
A voz passiva é mais útil quando quem pratica a ação é desconhecido, pouco importante, ou já óbvio pelo contexto — o foco desloca-se para o que aconteceu ao sujeito, não para quem o fez:
- La banque a été cambriolée cette nuit. (O banco foi assaltado esta noite.) — os assaltantes não são nomeados.
- Le musée a été rénové. (O museu foi renovado.) — aqui não importa quem o renovou.
No francês falado do dia a dia, uma frase ativa com o on impessoal substitui muitas vezes a passiva quando o agente é desconhecido ou pouco importante — on a cambriolé la banque é pelo menos tão natural quanto a versão passiva acima. Ambas são corretas; a passiva é mais frequente na escrita.
Erros frequentes
- ❌ La lettre est écrit. → ✅ La lettre est écrite. (o particípio tem de concordar com o sujeito, tal como com être no passé composé)
- ❌ Je suis donné un livre. → ✅ On m'a donné un livre. / Un livre m'a été donné. (um complemento indireto nunca pode tornar-se sujeito de uma frase passiva em francês)
- ❌ La lettre a écrit par Paul. → ✅ La lettre a été écrite par Paul. (a passiva no passé composé precisa do próprio être no passé composé — a été — não só do particípio do verbo principal)
- ❌ La ville est entourée par montagnes. → ✅ La ville est entourée de montagnes. (um pequeno grupo de verbos de estado/sentimento prefere de em vez de par)
Testa-te
Ver as respostas
- Le professeur corrige les copies. → Les copies ____ corrigées par le professeur. (est / sont) → sont
- On a construit ce pont en 1960. → Ce pont ____ construit en 1960. (a été / est été) → a été
- Tout le monde respecte Marie. → Marie est respectée ____ tout le monde. (par / de) → de (par também está correto)
- (Alguém roubou a minha bicicleta. — usa on, não a passiva) → On a volé mon vélo.
- Elle m'a offert un cadeau. → (Pode tornar-se "Je suis offert un cadeau"?) → Não — um complemento indireto nunca pode tornar-se sujeito de uma frase passiva em francês.
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Principais conclusões
- A voz passiva é être (no tempo da ação) + particípio passado, e o particípio concorda com o sujeito em género e número.
- No passé composé, o próprio être põe-se no passé composé: a été / ont été + particípio.
- O agente, se mencionado, costuma seguir par; um pequeno grupo de verbos de estado/sentimento (aimé, entouré, connu...) leva mais naturalmente de.
- Só um complemento direto pode tornar-se sujeito de uma frase passiva — um complemento indireto nunca pode, ao contrário do inglês.
- No francês do dia a dia, prefere-se muitas vezes uma frase ativa com on em vez da passiva quando o agente é desconhecido ou pouco importante.