Je ne sais pas ce qui se passe.Voici ce que je pense.C'est exactement ce dont j'ai besoin.Não sei o que está a acontecer.Aqui está o que penso.É exatamente aquilo de que preciso.

Qui e que, e dont substituem todos um substantivo concreto já mencionado. Mas às vezes não há nenhum substantivo a que se referir — só algo indeterminado, ou uma ideia inteira expressa antes na frase. É essa a função de ce qui, ce que e ce dont: cada um combina o pronome neutro ce com o pronome relativo comum que corresponde ao papel em falta.

Em resumo: a forma escolhe-se exatamente como numa oração relativa normal — sujeito → ce qui, complemento direto → ce que, complemento com dece dont — só que sem um substantivo concreto à frente.

Ce qui: sujeito da oração

Ce qui é o sujeito da sua própria oração; substitui uma coisa ou situação indeterminada:

  • Je ne sais pas ce qui se passe. (Não sei o que está a acontecer.) — ce qui é o sujeito de se passe.
  • Ce qui compte, c'est ta santé. (O que importa é a tua saúde.) — ce qui é o sujeito de compte.
  • Dis-moi ce qui t'inquiète. (Diz-me o que te preocupa.)

Como ce qui é um sujeito, o verbo que se segue concorda com ele na terceira pessoa do singular — comporta-se exatamente como qui numa relativa comum, só que sem antecedente concreto.

Ce que: complemento direto da oração

Ce que substitui algo indeterminado como complemento direto da sua oração:

  • Voici ce que je pense. (Aqui está o que penso.) — ce que é o complemento direto de pense.
  • Montre-moi ce que tu as acheté. (Mostra-me o que compraste.)
  • Je ne comprends pas ce que tu veux dire. (Não percebo o que queres dizer.)

Tal como o que comum, ce que elide-se em ce qu' antes de uma palavra que comece por vogal ou h mudo — nunca antes de consoante — e ce qui nunca se elide, seja o que for que se siga:

  • *Dis-moi **ce qu'*elle veut. (Diz-me o que ela quer.)
  • *J'ignore **ce qu'*il a dit. (Não faço ideia do que ele disse.)
  • Je ne sais pas ce qui arrive, nunca ❌ ce qu'arrivequi nunca se elide.

Ce dont: um complemento introduzido diretamente por de

Ce dont substitui algo indeterminado que é o complemento com de de um verbo ou adjetivo que normalmente exige de (avoir besoin de, parler de, avoir envie de, être content de...):

  • C'est exactement ce dont j'ai besoin. (É exatamente aquilo de que preciso.) — de j'ai besoin de quelque chose.
  • Voilà ce dont je parlais. (Ali está aquilo de que falava.) — de je parlais de quelque chose.
  • Je ne sais pas ce dont elle a envie. (Não sei do que ela tem vontade.)

Tal como com dont e um substantivo concreto, assim que se usa ce dont, o de que ele substitui desaparece por completo — nunca volta a aparecer em nenhum outro lugar da oração. E, tal como com dont, ce dont só substitui um de simples e isolado — não um de escondido dentro de uma preposição mais longa como à propos de ou au sujet de; aí é preciso outro pronome, um tema à parte, mais avançado.

O português usa o que de forma bastante invariável tanto para o sujeito (o que acontece) como para o complemento direto (o que penso); para um complemento com preposição, a preposição costuma aparecer à parte (aquilo de que falo, de falar de algo). Em francês, usa-se ce dont: dont substitui o complemento diretamente introduzido por de, por isso não se acrescenta outro de na oração relativa.

Referir-se a uma ideia inteira

Ce qui, ce que e ce dont também podem comentar uma oração inteira anterior, não apenas algo indeterminado e isolado — um padrão muito frequente na fala do dia a dia:

  • Il pleut, ce qui m'ennuie. (Está a chover, o que me incomoda.) — ce qui refere-se a todo o facto de estar a chover, e é o sujeito de m'ennuie.
  • Elle a réussi son examen, ce que j'espérais. (Passou no exame, o que eu esperava.) — ce que é o complemento direto de espérais, e substitui todo o facto anterior.
  • Il est toujours en retard, ce dont tout le monde se plaint. (Está sempre atrasado, do que toda a gente se queixa.) — de se plaindre de quelque chose.

Aqui a escolha entre ce qui/ce que/ce dont segue a mesma regra de sempre: depende do papel que a ideia desempenha na segunda oração, nunca do que vinha antes da vírgula.

Erros frequentes

  • Je ne sais pas qui se passe. → ✅ Je ne sais pas ce qui se passe. (omitir o ce — sem antecedente, o pronome relativo sozinho não se sustenta)
  • Voici que je pense. → ✅ Voici ce que je pense. (o mesmo erro com que)
  • C'est ce que j'ai besoin. → ✅ C'est ce dont j'ai besoin. (avoir besoin de exige o pronome com de, ce dont, não ce que)
  • ❌ *Dis-moi **ce qu'*arrive. → ✅ Dis-moi ce qui arrive. (ce qui nunca se elide)

Testa-te

Ver as respostas
  1. Je ne comprends pas ___ tu veux. → ce que (complemento direto de veux)
  2. ___ me plaît, c'est son sourire. → Ce qui (sujeito de plaît)
  3. Elle est arrivée en retard, ___ a surpris tout le monde. → ce qui (refere-se a toda a frase, sujeito de a surpris)
  4. Dis-moi ___ tu as besoin. → ce dont (de avoir besoin de)
  5. Je ne sais pas ___ elle pense. → ce qu' (ce que + vogal)

Principais conclusões

  • Ce qui, ce que e ce dont substituem qui, que e dont quando não há um substantivo concreto a que se referir — só algo indeterminado ou uma ideia inteira anterior.
  • A escolha continua a depender do papel na oração: sujeito → ce qui, complemento direto → ce que, complemento com dece dont.
  • Ce que elide-se em ce qu' antes de vogal ou h mudo; ce qui nunca se elide.
  • Os três também podem comentar uma oração inteira anterior (Il pleut, ce qui m'ennuie), não apenas algo indeterminado e isolado.